9.9.09

para onde vou porque vou como vou e se vou ou não vou











sei o que quero como quero quando quero e para que quero.
não há interrogações possíveis exclamações supostamente prováveis nem tecicências duvidosas. há os pontos finais. ponto final. ando na fase do ponto final.
sei quem sou o que sou como sou para onde vou porque vou e como vou.
aprendi a dizer não.tardiamente mas aprendi. o sim era muito raro. jogava mais com o talvez. dou por mim a pensar nisto. no fundo há uma ponta de revolta por ser quem sou e não querer ser assim. mas eu sou assim. combato-me muito. mas nessa guerra que tenho comigo nenhuma de mim sai ganhadora. mantenho-me estável. quase equilibrada.
sempre me assustou a mudança. o talvez era razoável. o não extremamente seguro. e o sim não fazia parte do meu vocabulário.
mas apetece-me dizer o que me apetece dizer. hoje não sei. amanhã logo se verá. deixa ver como me sinto. depois logo se vê se me apetece. dia após dia pratico-me cada vez mais ao sabor dos apetites. dos meus claro. se calhar é por isso que me dizem que ás vezes consigo ser bem desagradável. como desagradável? se só digo o que me apetece.
sei que magoo os outros. é uma defesa minha. faço-o para não me magoar a mim. faço mal. porque assim fico magoada por magoá-los. mas que mágoa!
ando na fase do ponto final.
há ponto final.
ponto final.






09.09.07











mantenho_me estável quase desequilibrada.






















fotografias de fritz faber

5.9.09

o regresso às aulas













o clima geral é de um ar pesado que se respira. a ivone até já nem põe o capacete.para quem não sabe o capacete da ivone é um capacete romano feito de metade de uma bola de futebol e pintado de castanho que foi usado num teatro e depois ficou abandonado na sala de e.v.t. recuperei_o usando_o durante a reunião de departamento de educação artística quando da eleição do cargo para delegada de educação visual e tecnológica. fui eleita por maiora quase absoluta. ainda hoje não entendo no que é que os meus colegas todos estavam a pensar quando votaram numa professora de capacete romano na cabeça.o dia hoje começou mal. mas piorou ainda mais. no último bloco da tarde o sexto H. vinte alunos que ao final do dia querem tudo menos ouvir falar em avaliação. muito menos a auto. mas eu tinha programado ou melhor planificado essa avaliação para hoje. e temos de chamar as coisas pelos nomes. vá lá saber_se se também alguém aqui me vai avaliar.ficha nova? sotora o que é uma unidade de trabalho? após quinze minutos de esclarecimentos a dúvidas as dúvidas mantinham_se. nem voltei a tentar. porquê? básico. não ouviram nada do que eu disse. aquelas cabecinhas pensam em tudo menos no que se está a tentar explicar. para quem não sabe e.v.t lecciona_se em par pedagógico. isto é são dois professores na aula. complicado não é? formações diferentes personalidades diferentes e às vezes muito ou quase nada em comum. é como um casamento. só de escrever a palavra fico mal disposta. a mais difícil para mim é a fase de adaptação. longa e por vezes dolorosa. depois habituo_me. mas como estava a dizer o estarem dois professores na mesma sala justamente implicaria tarefas comuns e divisão de trabalho.mas não.no meu caso não se passa assim. na hora de almoço apeteceu_me pegar na pasta e ala que se faz tarde vou_me embora para casa. resisti. aguentei. avisei a turma que tinha de haver silêncio para se conseguir trabalhar. ao qual minimamente cumpriram tirando o caso do nino que continua no fundo da sala à conversa com o humberto e que até de vez em quando trocam mensagens no telemóvel ou o daniel que não pára de comentar a desgraça que foi a derrota do benfica ou da diana que teima em manter a sua pochete a preto e branco em cima da mesa de trabalho comentando com a carina o que a sotora hoje traz vestido ou o pedro morgado que teima em continuar a fazer pontaria aos colegas com a sua invencível esferográfica bic transparente e a ana pires que de cinco em cinco minutos pede para ir à casa de banho e que até tem autorização médica ainda não percebi bem porquê.vou_me lá eu preocupar com quarenta e cinco minutos de falta minha quando quem está em falta não sou eu mas sim os vinte alunos do sexto H que tenho no último bloco da tarde de quinta feira mais a colega presente que está ausente?e tentei. juro que tentei várias vezes . pelo que há de mais sagrado seja lá onde for eu juro que tentei. tentei manter algum interesse pelo que se tinha de fazer. mas parece que a única interessada ali era eu. tentei manter alguma disciplina e silêncio na sala de aula. por breves instantes era conseguido. tentei realizar a auto e hetero avaliação. afundada em fichas de trabalho dossiers e lápis e lapiseiras por cima da secretária.tudo isto enquanto a colega impávida e serena consultava as planificações de todos os colegas de grupo no dossier da disciplina. tudo isto enquanto a colega se levantou e se dirigiu ao fundo da sala onde tem um armário só dela para de lá trazer um saco de cartolina em amarelo vivo daqueles onde se costumam colocar as embalagens das amêndoas da páscoa para se voltar a sentar guardando nele o cacto que tinha comprado na feira de ciências. tudo isto enquanto acomodou com muito amor e carinho o seu cacto dentro do seu saco amarelo. tudo isto enquanto permaneceu sentada de braços cruzados em silêncio na sua secretária.cinco minutos antes das dezassete e trinta pedi desculpas aos alunos e à professora pela minha incapacidade de dar a aula. o silêncio abateu_se com toda a força na sala. o mesmo silêncio que eu pedi no início para conseguir trabalhar e que a turma até conseguiu cumprir. ninguém mas não houve ali ninguém que acreditou em mim. a não ser eu. a única que se levou a sério fui eu. a única que acreditou fui eu.fragilizada pela impotência de conseguir permanecer peguei na pasta e na mala levantei_me e despedi_me. o daniel a diana o ruben e a carina desejaram_me bom fim de semana. ainda me falta sexta pensei. a professora que fica ali na sala é que amanhã tem dia de folga. saí da escola e já depois de ter passado o portão respirei fundo. bem fundo. por hoje chega. já tenho a minha dose.hoje bati com a porta senhor presidente do conselho executivo.mas só por hoje. amanhã sou a primeira a entrar.quantas vezes mais?
13.03.08

18.8.09

onde andas tu?















carlos amava dora que amava lia que amava léa que amava paulo que amava juca que amava dora que amava carlos que amava dora que amava rita que amava dito que amava rita que amava dito que amava rita que amava carlos amava dora que amava pedro que amava tanto que amava a filha que amava carlos que amava dora que amava toda a quadrilha






flor da idade de chico buarque




















eu ando onde se anda onde quase ninguém faz questão de andar e desando_me andando como se andar fosse o princípio de te querer comigo e assim sem nada nos pés para te não seguir porque sim dizer_te que me andas dentro sem eu saber para onde ir ou fugir de ti e não se saber como se vai sequer. assim como que de cabeça perdida.











onde andas tu?



fotografias de waldemar wienchol

25.7.09
















que queres que te diga se nem eu sei?






















que queres que te diga se nem eu sei? é só este gozo imenso que me dá o escrever. saber que não adianta escrever o que não se sabe nunca dizer. diz que disse mas não se diz. e será que alguma vez me lês? mas lês mesmo? pensas que me entras assim nas mais fundas entranhas sem nada dizeres na vã tentativa de me conseguires ler. gostaria ainda de um dia me aproximar o mais possível tocar_te nos dedos e com eles espalhar_me ao comprido na página. era esse o gozo da escrita sem se ler. ter aquele arrepio pela espinha acima sabes? mas como se não te conheço? mas sei que tentas ler_me. estou mesmo a ver deves pensar "bem espremida coitada não tem nada de nada". será? se é assim que me atiro à página com tudo para dar e não ter nada guardado para receber. raios me partam! a mim e ao meu escrever!









fotos de observatory
ia gagliani
e wkurwarjacya

13.7.09

efectivamente











efectivamente, adv. com efeito; realmente.





























adoro o campo, as árvores, as flores
jarros e perpétuos amores
que fiquem perto da esplanada de um bar
com os pássaros estúpidos a esvoaçar
adoro as pulgas dos cães
todos os bichos do mato
o riso das crianças dos outros
cágados de pernas para o ar
efectivamente escuto as conversas
importantes ou ambíguas
aparentemente sem moralizar
adoro as pegas e os pederastas que passam
(finjo nem reparar)
na atitude tão clara e tão óbvia de quem anda a engatar
adoro esses ratos de esgoto
que disfarçam ao dealar
como se fossem mafiosos convictos habituados a controlar
efectivamente gosto de aparências
imponentes ou equívocas
aparentemente sem moralizar




rui reininho























efectiamente só efectivamente a sós com efeito assim só realmente sós adoro o facto de ser única sem par parceiro ou companhia com efeito e realmente desacompanhada efectivamente assim sem me moralizar





















fotografias de alexandre parrot e robert parkeharrison