9.6.12



9 de junho 20.00


mergulha-se na vida adentro e o mar envolve-me como se me chamasse para me dizer que é urgente voltar reaprender alguma coisa parecida com o de andar de bicileta. nunca se esquece desde que se aprende. este mar adentro  hoje é bem mais salgado. o mais salgado de sempre. levando-os à boca sem engolir e depois sem medo tive de engolir qualquer coisa parecida com amargoso com um amargososo  parecido com fazia vomitado.de seguida engoli. foi assim como esse ácido o ácido dos ácidos iniciasse a sua viagem començando por me corroer as entranhas.tão simplies quanto isso. apenas mais um gosto ácido dos muitos que ainda tenho para engolir. e ainha tenho de engolir tantos  engolir tantos. os de hoje pensei «já está estão» venham venham. sem medo. quantos são? é só uma questão de direção e de sentido.uma certeza   tenho «sei que não vou por ái».


resta acima de tudo
essa capacidade de ternura
essa intimidade perfeita com o silêncio
resta essa vontade de chorar diante da beleza
essa imensa piedade de mesmo
essa imensa piedade de sua inútil poesia
e sua força inútil
essa tola capacidade de rir à tola toa
resta essa faculdade icoercível de sonhar de transfigurar a realidade
que às vezes os poetas tomam de esperança
resta esse diálogo cotidiano com a morte
esse fascínio pelo menento a vir
quando emocionada ela me virá abrir a porta como como velha amante
sem saber que é a minha mais mas nova namorada.


in o haver vinicius de moraes/edu lobo

6.6.12

os jardins do ipo  estão cheios de nenúfares.
afinal há nenúfares no fundo do lago.




já não me lembrava que existiam nenúfares. foi preciso ir ao ipo para me relembrar. quando saí da sala de espera da consulta de neurologia para fumar um cigarro deparei-me com um cenário digno de uma tela fresca de van goh. ao lado disto os girassóis do mestre do impressionismo passavam despercebidos porque o rosa senhora o rosa  dos nenúfares era divinal.



a única maneira de teres sensações novas é construíres-te uma alma nova.

in livro do desassossego

terça 5 de junho 8.30 da manhã


ontem arrastei-me até á cama ainda antes do dia terminar. o cansaço era de tal desordem que se abateu em mim como quem toma conta de um corpo que já deixou de o ser há mais de vinte e quarto horas consecutivas sem fechar os olhos. é como que sou eu que não deixo que os olhos se fechem. tenho de conseguir mantê-los abertos porque o tempo escasseia  e é urgente organizar-me. por dentro e por fora.por volta da meia noite consegui finalmente atirar-me para cima da cama e ficar por lá até hoje de manhã. acordei por volta das seis e meia da manhã.. hoje é um dia muito importante para mim. vou começar a minha terapia no hospial de s.josé.não conheço a psiquiatra que me vai acomanhar nesta viagem mas sei que preciso muito da ajuda dela. o tempo de internameno no egas arrasou-me. conseguiu destruir-me as reservas todas que mantinha como defesas desde que entrei pela segunda vez na urgência. mas há terceira é de vez. vou andar por lá até até conseguir fazer a minha fotocópia perfeita do que não penso fazer. tanto na vida como na arte.


tudo quanto fazemos, na arte ou na vida, a cópia imperfeita do que pensamos em fazer.

in livro do desassossego

4.6.12




se eu pudesse tomava conta dos meus sonhos

2 de junho 0.40 sábado

hoje ficava assim como quem não quer nada de ti a não ser ter uma imensa vontade de te dizer que encontrar-te foi a melhor coisa que me aconteceu na vida. nesta e na próxima que vai vir porque sei que vai ser contigo lado. ao meu lado que é teu e será nosso eu sei. sei que o é e tão poucas vezes tives tantas certezas da vontade de te reencontrar sentado à minha espera na pressa de nos abraçar-mos naquele abraço que nunca mais nos vai deixar. e assim não saio. ou saio mas quero ficar contigo dentro de mim  ao meu lado e reabraçar-te sempre que me deixares.  é essa a minha vontade. a de ficar ali calada e olhar-te e reolhar-te mais nada. como foi bom conher-te. apareceres-me do nada sem saberes que existo esta hora fantátisca que é só minha. aquela em que te vi pela primeira vez. foi fabuloso apresentares-te.miguel. 
 

transcrito a 5 de junho segunda
  

 


o sonho é a pior das cocaínas, porque é a mais natural de todas. assim se insinua nos hábitos com a facilidade que uma das outras não tem, se prova sem se querer, como um veneno dado. não dói, não decora, não abate mas a alma - que ele usa fica incurável, porque não há maneira de se separar do seu veneno, que é ela mesma.

fernando pessoa in livro do desassossego

23.5.12

acabei de me livrar de um tumor na cabeça. o que é para mim um cancro no pulmão?