3.10.07

o acto de criar em primeiro acto

























o acto de criar é um acto solitário



o estar só não me incomoda nada. pelo contrário. após estar com os outros durante todo o dia quando cai a noite fecho a porta.

aí tenho encontro marcado com o criar. tem dias que é em letras. outros em cor. e ás vezes invento-me nas notas. aí conheço-me segura. sou dona e senhora de mim.



o acto de criar corresponde para mim de igual modo ao acto de me sentar à mesa para jantar ou o do acender o cigarro sempre após o café. preciso de me reinventar todos os dias.



quando fecho a porta transpiro de entusiasmo por me encontrar a sós. desligo qualquer sinal que me incomode. dou apenas algumas breves oportunidades a quem me mereça. a outros solitários que como eu cerram as vidraças quando se sentem ameaçados no seu acto de criação.



a solidão para mim é uma companhia. espectadora de mim invento as linhas que me dão forma. crio as formas que me dão prazer. ilustro as letras que me tocam. e acendo as luzes que me indicam o caminho.



às vezes perco-me. mas sabe tão bem perder-me. chego até a queimar os mapas.



o criar é respirar.
é libertar.
e é amar.



porque cada linha cada cor cada letra é sentimento.
e é-o sempre a sós.

14 comentários:

Amaral disse...

A isto se chama o recriar, em cada momento, uma nova versão do que se escolhe ser...
Criar é como respirar! Também creio que é!
O dom de criar vem do criador. Se nos integramos na criação, co-criamos com Ele.
Se o respirar é da Natureza, se a liberdade é da própria Alma - o amar é do Amor!
A sós, encontras O Que És dentro dum abraço!

Victor disse...

Querida Ivone
Está é uma bonita análise dos momentos de solidão... "solitud" (?) ...transformados em momentos de intensa criação...
Excelente introspecção que partilhas com os teus leitores/amigos e onde encontro justificação para as tuas excelentes obras em tonalidades da escala dos cinzas, mesmo do (dos?) preto.
A minha inspiração (ah a minha musa/ninfa inspiradora...) leva-me sempre pelas veredas da cor... pelo que as tuas óperas me mostram o complemento do que gosto de fazer.
Beijinhos.

mitro disse...

Talvez não seja o criar que nos leva pra o lado solitário, mas antes a solidão que nos leva a criar!

António Sabão disse...

És sempre assim? Tens prazer na solidão? :(

ivone disse...

amaral

no abraço encontro-me criada...mas para o ter não posso estar só. preciso de outro alguém que o partilhe comigo.
bj

ivone disse...

amigo victor

como me sabem bem as tuas palavras...
se julgo bem as minhas tonalidades complementam as tuas. genial!
sem fundo de orquestra hoje a música conduz-me a ti em notas soltas e ditas que transpiram de sentimento.
bj

ivone disse...

mitro
mas claro que é a solidão que nos leva a criar.
se pensares bem todo aquele que cria o faz porque é um eterno solitário!

ivone disse...

antónio

a solidão dá-me prazer porque me abre as portas ao acto de criar!

maria josé quintela disse...

também queimo os mapas!

Edson Marques disse...

Ivone,


belíssimo texto!

O ato de criar é mesmo solitário..

Abraços, flores, estrelas!

_E se eu fosse puta...Tu lias?_ disse...

o acto de criar é também um silêncio de paixão...


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ivone disse...

maria josé
será que algum dia iremos seguir as cinzas deles? ou limitamo-nos a assistir ao lançamento aos ventos?

edson
você é especialista naquilo que estou falando.

tu lias?
pura verdade: um silêncio de paixão
tem sido o meu último constante acto de criar...

alexandrecastro disse...

acto de criar.exercicio individual feito no silêncio do noso interior...beijinho

cm disse...

criar e re-criar-se pelos lados diversos, é um prazer ler quem o faz