21.5.10

alguém de bem que me atente a suportar_me a largar_me a estoirar_me a viciar_me a destramar_me a vadiar_me a aventurar_me a alguém de bem está claro?








prometo não falar de amor de gostar e sentir
portanto não vou rimar com dor ou mentir
joga_se pelo prazer de jogar e até perder
invadem_se espaços trocam_se beijos sem escolher
homens temporariamente sós
que cabeças no ar
não retratos de solidão interior
não há qualquer tragédia
mas um vinho a beber
partidas regressos conquistas a fazer
tudo anotado numa memória que quer esquecer
homens sempre sós preferem perder
homens sempre sós são bolas de ténis no ar
muito abatidos saltam e acabam por enganar
homens sempre sós nunca conseguem casar




rui reininho


















alguém de bem que me atente a suportar_me a largar_me a estoirar_me a viciar_me a destramar_me a vadiar_me a aventurar_me a alguém de bem está claro?

3 comentários:

Luis Eme disse...

é um bocado assimm Ivone.

quando vivemos sós, habituamo-nos à solidão, falamos com as paredes, com o gato, com o cão, quase que dispensamos os outros.

usamo-os quando precisamos, somos usados quando queremos e deixamos...

é por isso que é complicado vivermos sós, deixamos de aceitar "invasões" de bom grado...

(e ainda há outra coisa, à medida que crescemos, o nosso olhar vê mais longe, percebemos que afinal anda por ai mais de meio mundo a enganar o outro)

oldmirror disse...

some men are an island...

nils disse...

O poder maléfico das pessoas de bem. Como há quem não veja? A indecente inocência...