21.8.08

pintar a tela do querer querer tanto tanto faz que basta tocar

sem tocar
sem falar
sem cheirar
sem ouvir











a proposta é silenciada em palavras em que cada sentido não faz sentido já ou todo o sentido faz











Te propongo esta noche llegar a un acuerdo,
un diálogo entre mi cuerpo y tu cuerpo
una conversación sin palabras,
un silencio de proyectos,
que tus dedos interpreten
el lenguaje de mis dedos.
Te propongo, simplemente,
alargar la caricia,
no planear la llegada a la cima
sino navegar con el remo de mis brazos
no utilizar para nada el salvavidas
ni que el tiempo detenga la mirada
dirigida a los botones de tu camisa.
Te propongo un pacto de susurros,
una tertulia de gemidos,
un monólogo de gritos,
que todo lo que no dijimo
sen la piel permanezca escrito.
Te propongo una noche interminable,
lenta, muy lenta, tan lenta
que cuando nos interrogue la mañana
no sepamos quiénes somos
ni hacia dónde vamos,
como si aprendiéramos de nuevo a leer
igual que dos niños pequeños,
como si aprendiéramos de nuevo a escribir
sobre el pálido folio de nuestro cuerpo.
Te propongo una lectura corpórea
desde el prólogo de tus ojos
hasta el epílogo de mi boca.




propuesta de“dédalo del deseo”
de gloria bosch



































a proposta é silenciada em palavras em que cada sentido não faz sentido já ou todo o sentido faz

proponho_te então o tocar sem falar sem cheirar sem ouvir sem cheirar sem gostar como se de uma ressurreição se tratasse porque é disso mesmo que se fala

proponho_te assim um amanhã em que não seremos nem faremos nem falaremos com sentido já. porque a hora é esta agora ou nem será. estarás assim nos meus braços e os meus braços sem te abraçar. nem desenharemos um sentir completo inteiro e despido de respirar. um amanhã que nem haverá. iremos então pintar a tela do querer querer tanto tanto faz que basta nem tocar






















venha a morte assim plena em mim a quem me entrego de corpo inteiro e alma cheia porque se faz tarde e eu quero chegar
fotos de anna plewka
e only time em enya
.

17 comentários:

Rocket disse...

com uam proposta daquelas, eu, cerebral como sou, até de olhos fechados...

beijos

oldmirror disse...

Bem, eis que cheguei ao momento em que não sei o que escrever nesta caixa de comentários.

Graça Pires disse...

Proposta de silêncio, em que são inúteis as palavras. Belo, o poema de Gloria Bosch.
Bom fim de semana.

Graça Pires disse...

Agora venho agradecer as suas palavras amigas e a solidariedade.
Um beijo.
Obrigada também pelo sensível comentário deixado no poema Ariadne.

O Profeta disse...

O fantástico mora no teu sentir...


Doce beijo

ivone disse...

rocket
de olhos bem fechados é que se fazem as melhores propostas.


oldmirror
não precisas escrever nada. se calhar sei. basta_me saber que estiveste aqui. comigo. assim calado.


graça pires
sem palavras.
cem palavras.
bj




profeta
só sinto. sinto só.
fantasticamente viva!

D. disse...

a levei comigo.
Imperdoável, essa minha
demora em o fazer.

D.

Sunshine disse...

A beleza do silêncio da intimidade.
Beijinhos com raios de Sol

diana disse...

E a vida é realmente deliciosa quando sentimos toques que não existem, mas que estão lá, quando as palavras não precisam de ser ditas, que mesmo assim são sentidas. E a vida é fantástica quando nos permite essas propostas.

Moon_T disse...

..."Esboço numa nova tela um rascunho… uma obra impossível de pintar sozinho. Dispenso pincéis, pintemos a nu!"...






e por vezes a melhor resposta é simplesmente a mudança do proprio silencio



Obrigado

ki-colado disse...

Grato poetisa pela sua passagem no metamorfosebloggistica... Em razão de querer ter tenho à dizer-te que busca-se o sentido exato da paixão absoluta quando sentimos que tudo concorre para a legitimidade das identificações que anseiam nossos corações.

A humanidade caminha para o lado contrário da necessidade de se dizer a palavra "AMO-TE", cada vez mais distante da razão. Só os puros de coração ainda acreditam ser possivel resgatar tudo o que foi perdido por gerações dentro de guerras e revoluções diversificadas.

Hoje, a distância mais longa que existe, não é entre estrelas, mas o espaço vazio que há entre a razão e o coração. Quem sabe esteja aqui a proposta!

Saudações!!

ivone disse...

d.
com perdão. quando se tem vontade a demora não se demora.e não há sem que perdoar.



sunshine

o silêncio tem sempre beleza com intimidade ou não e a beleza da intimidade encontra_se no silêncio ou talvez sim.´


diana
assim sim. fabulosamente viva fantasticamente sobrevivida extraordinariamente assim. sim




moon_t
"não te olho quando afirmas pela mágoa a cor negra da alma pois o desalento come a cor a quem se fecha sobre o olhar adormecido na palma da mão...pela moldura não se descobre a pintura"




sem saber quem escreveu o texto sei que sou eu nele
é assim que me sinto agora
um desalento imenso
amanhã vou_me vestir de água



ki_colado

vender_me em palavras não condiz. atirar ao ar letras fartas não me apetecia. gastar o verbo amar nunca se diz. não dizer. o segredo reside aí. em não se dizer. nunca se diz. e se se disser eu desdigo.


digo que te desejo? claro
digo se te quero? óbvio
e se te amo? não sei dizer

gastar o verbo amar nunca se diz


ps: às vezes nas respostas aos comentários vou buscar textos meus antigos porque acho apropriados à resposta. este faz parte do post do dia 23.07.08

gianna disse...

Ivone, exacta fórmula, "...que basta nem tocar" - e para nós quando a lemos, certeira.
Parece-me que o passado que trazemos nos envolve tanto que não temos pressa de deixar que o tempo avance... O mano diz que com a idade a memória vai ocupando lugar no exercício da paixão.
Voltarei, voltaremos. Obrigada pela visita ao qdc.
Que estejas feliz.

Victor Oliveira Mateus disse...

... onde cada sentido das palavras
não faça sentido ou todo o sentido
faça, isto é, pintar a tela de tal
modo ( e com tal querer) que cada
instante coincida com a plenitude,
tal como o poema da Gloria Bosh
ilustra e o seu, com encantatória
doçura, nos revela...
Um grande abraço.

Dois Rios disse...

Belíssima poesia de Gloria Bosch. Uma proposta feita no dialeto das peles e dos cheiros.

Lindos os teus escritos, Ivone!

destaco dois que muito me tocaram:

"venha a morte assim plena em mim a quem me entrego de corpo inteiro e alma cheia porque se faz tarde e eu quero chegar."
---
"nem desenharemos um sentir completo inteiro e despido de respirar. um amanhã que nem haverá. iremos então pintar a tela do querer.querer tanto tanto faz que basta nem tocar.

Um querer sem eco.

Beijos, minha querida!

Inês

Fernando Santos (Chana) disse...

Olá Ivone, belo poema...Espectacular...
Beijo

Maria José disse...

Há um purgatório à espreita. Fugir? Para quê?


E à morte... digo, não obrigada.