20.9.08

é. o amor fecha_se_me assim de cada vez que o quero tocar

é.













é. o amor fecha_se_me de cada vez que o quero tocar.


























ao ouvir as suites inglesas de bach
a humidade dos campos envolve-me
com uma névoa de rios
e uma auréola de margens
esta música puxa-me pelas suas mãos de som
para o ritmo que o poema devia encontrar
no limite dos teus cabelos
e tu contra o portão nesse contraluz que te incendeia
o vermelho da túnica sobre o branco dos muros
roubas ao cravo o seu sorriso profano
plantando nas suas teclas
um desejo que o jardim do teu corpo fará florescer
assim vens até mim
pelos degraus deste ritmo que bach inventou
para descrever não se sabe que dança
movimento de saias com o vento
baloiço vago que se evola
de uma entrega evanescente
num canto de arbusto
até ao silêncio branco com que o amor se fecha






episódio musical
de nuno júdice
























fecha_se_me a boca de dizeres quando te quero falar que de facto não sei como amar. tenho como que um jeito especial de gostar. não diria anormal. mas normal também o não é de facto. é o meu. diferente. tenho uma maneira especial de amar. a minha. só. essa música a que eu chamo de amor só eu a sei tocar. e não há pauta. não há clave. não há nota. só toque. o meu toque diferente de a tocar.


e tenho culpa de ser assim que eu gosto de a tocar? se é assim que eu sei te amar? tenho culpa de não saber falar o que não se fala? tenho culpa de querer continuar a manter_te quente nos meus dedos ainda por lavar? culpada. pecada. sacrilégio este assim de te amar. e que não se afastem os demónios não me abandonem as almas não me exorcizem as penas porque eu quero mesmo e só é voar. contigo ao fundo dos infernos. contigo cem almas a penar. contigo de vez desafiar inquisidores más línguas mentes perversas inimigos e próximos a quem de olhos fechados dizem tudo ver e não ser possível enganar.


não peco. confesso_me a mim que te quero não a perder em juras eternas de amor mas sim pecando no estar. tocar_te no mais intimo que tu possas não guardar.nem calcular que o tens guardado. não esconder os segredos.não continuar nos dizeres. não dizê_los bem baixo por entre o branco dos lençóis que se afastam. ter o direito de se segredar.ter um segredo teu meu bem meu mal. se o meu segredo és tu.meu amor minha alma.


tens se calhar razão quando dizes que não sei gostar. nunca soube como se amava. achava apenas saber como se gostava. um dia foi o que esperei para to saber dizer. ou como se faz. mas como se não se consegue fazer e muito menos se consegue dizer? não se diz nem se faz. vivem_se apenas as horas que se dão guardando_as até outro dia próximo ou não. outro dia outro abraço. mas como se vive assim? sem se estar?


por isso não queria gostar. mais. ficar à espera esperando mais um nada na manhã seguinte ao acordar. esperando qualquer coisa no entretanto até o dia fechar. esperando outra vez nada sempre que me deito à noite com vontade de te amar. não. não sei gostar. não quero gostar. não sei como te amar.











é. o amor fecha_se_me de cada vez que o quero tocar.








fotos martin dimitrov

11 comentários:

diana disse...

O amor é mesmo assim... fecha-se cruelmente quando se sente tocado. É difícil ter uma maneira diferente de amor, mas o amor é difícil de qualquer maneira.

Moon_T disse...

é algo que penso nunca se saber...
sente-se e vive-se

enquanto se tenta entender passam os momentos ao lado.

Su disse...

é.


jocas maradas...sempre

sou eu disse...

«tenho culpa de querer continuar a manter_te quente nos meus dedos ainda por lavar?»

mais uma vez, muito bom. muito, muito bom.

e enquanto assim for, não creio, não acredito, que o amor se lhe feche de cada vez que o tocar.

Freyja disse...

Caríssima,


"mas como se vive assim? sem se estar?" Não se é, finge-se ser.

É... qualquer coisa que não lhe sei o nome, mas é. É algo que não sei pronunciar que se limita a tactear na lingua da palavra. Indizível.

Refiz-me. Obrigada!

Silenciosos Cumprimentos,

Graça Pires disse...

É como diz Nuno Júdice: "até ao silêncio branco com que o amor se fecha".
Um beijo Ivone.

_E se eu fosse puta...Tu lias?_ disse...

Sarava...


Não fugi...:P

ando atrapalhada com o trabalho...bahhhhhhhhhh


beijos


e tu???? é. conta-me tudo!

_E se eu fosse puta...Tu lias?_ disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Golfinho disse...

Paixão,que com o silencio se escreve.
Golfinho

Carla disse...

pergunto-me às vezes porque tenho esta estranha forma de amar
beijos

ivone disse...

diana
o amor não é nada fácil sim. e quando se fecha o toque dói demais.


moon_t
"enquanto se tenta entender passam os momentos ao lado"
é.nunca soube como se amava. achava apenas saber como se gostava. um dia foi o que esperei para to saber dizer. ou como se faz. mas como? se não se consegue fazer e muito menos se consegue dizer? não se diz nem se faz. vive_se. e nos entretantos enquanto se tenta entender já passou ao lado.
é não. já foi.


su
pois.
é.


sou eu
tocaste na ferida. o texto todo se resume a isso.tenho culpa de querer continuar a manter_te quente nos meus dedos ainda por lavar?
"não creio, não acredito, que o amor se lhe feche de cada vez que o tocar".
confesso que menti.e a escrita não será uma forma de dizer verdades mentindo?


freyja
"mas como se vive assim? sem se estar?" Não se é, finge-se ser.
e eu não sou fingida. agora imagina como me sinto...

graça pires
nuno júdice consegue fechar o amor num silêncio branco como mais ninguém o faz. que inveja não é?


tu lias?
a menina faz o favor de não se revelar tão cusca como é? e tu achas que te vou contar tudo? aqui onde mais de nove milhões de pessoas poderão por os mirones? eu hein era só o que me faltava tornar público a minhas aventuras amorosas. para isso dava uma entrevista ao 24 horas ou ao correio da manhã ou ia ao programa da fátima lopes.e mais: inscrevia_me no novo programa da teresa guilherme e aí sim era capaz de me vender por 250 mil euros. davam_me jeito sim. mas acho que nem isso. se há coisa que prezo é a minha privacidade e a menina é curiosa demais para o meu gosto . acho que vais ficar eternamente na dúvida.é!

beijos abraços e caneladas


golfinho
por isso mesmo a minha paixão é sempre de silêncio


carla
estranha forma esta não é?