16.10.08

entre parêntesis

entre parêntesis












de momento não me ocorre nada para dizer. volto para casa fecho as portas encerro as janelas e acendo as velas. e os cigarros também.




























não: toda a palavra é a mais. sossega!
deixa da tua voz só o silêncio anterior!
como um mar vago a uma praia deserta chega
ao meu coração a dor.

que dor? não sei. quem sabe saber o que sente?
nem um gesto. sobreviva apenas ao que tem que morrer
o luar e a hora e o vago perfume indolente
e as palavras por dizer.



l'inconnue
12.6.1918
in poesia do eu de fernando pessoa pág.122


















"_ tu persegues uma utopia!"
estática fiquei colada ao chão do quarto. por instantes um déjà vu. trintas e tais anos a viver assim. correndo atrás do que não existe.











até quando?
até ao dia em que a terra me cobrir porque tenho pavor a fogo. e de noite sempre a erva é mais fresca que qualquer aragem que não me entre pelo quarto adentro.









fotos de larafairie









13 comentários:

_E se eu fosse puta...Tu lias?_ disse...

Sarava!

O Fernando é que sabia... acende as velas e os cigarros...

rsrsrsr


gostei muito.


Beijos

oldmirror disse...

é nesta altura que olhamos o espelho...um velho espelho.

diana disse...

Talvez o que tu e tantas pessoas como eu procuram esteja dentro de nós mesmos.


Eu, pelo menos, espero que sim.

Baraújo disse...

fernando pessoa... que dizer...

por vezes precisamos de nos fechar para depois nos abrirmos ao mundo...

beijo [E] terno

maria josé quintela disse...

entro e saio.



deixo-te um beijo.

ivone disse...

tu lias?
os cigarros acendia de certeza absoluta porventura bem mais que eu. as velas não sabemos. talvez. esqueci_me do absinto...grande fernando este. fernando o grande!



oldmirror
e há alturas? para se olhar o espelho? o velho? conheces a obra de magritte? as sequências dele ao espelho? assim estou eu...rené sabia. soube como se olhava esse espelho. eu ainda não. talvez um dia. isto da escrita dá_me um gozo tremendo porque minto dizendo verdades.


diana
claro que está tudo cá dentro. o problema é conseguir sair deste espaço circular. só isso.


baraújo
de pessoa. de mim. nada a dizer. e tanto por esclarecer.

bj



maria josé quintela
e enquanto assim andas e desandas um beijo para ti também

ivone disse...

diana
voltei para te deixar a resposta se fosse pessoa



Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.


eros e psique

esclarecida ou nem por isso?
é que eu continuo com imensas dúvidas...

Graça Pires disse...

"de momento não me ocorre nada para dizer". Apenas digo que gostei do que li. Um beijo.

diana disse...

Obrigada pelo poema... não conhecia e adorei!!

Obrigada pelo carinho.
beijo

Baraújo disse...

este comentario é para o teu comentario q se destinava a diana... dessas historias que se escrevem num entrelinhas de "era uma vez" para viverem "felizes para sempre" nascem ramagens e marés em formas de livros e cd's que se contam e se cantam as crianças fascinadas e adultos entre traços da vida, porque... de viverem felizes para sempre, é preciso muito mais do que historias... e de era uma vez... se ve que afinal era mais do que uma mesmo...

desculpa este devaneio, que posso dizer. nao tenho nada contra fábuloas e historias deste genero. mas... todos nos procuramos essa felicidade de uma ou outra forma... se a encontramos??? vamos ver. mas acreditemos sempre que sim.

beijo [E] terno

Anónimo disse...

Depois de tanto comentário nada resta por dizer
a não ser
a coisa mais bela que aqui li:
Dá gozo dizer as verdades mentindo.

Do grande Miguel Torga e fazendo jus ao teu blog, aqui deixo um poema que, como disseste, diz a verdade mentindo.


Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Ás urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de mim como de ti.


Perde-se a vida a deseja-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria....
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.



Poesiadaalma

ivone disse...

poesiadaalma
o que me fascina na escrita é precisamente a magia de se conseguir dizer tudo o que se quer manter secreto.


do post de 2.8.08 "vem comigo!"

acho mas só acho que de vez em quando me corre até tinta nas veias como se isso fosse um soro de verdade...acho. só acho. certeza não tenho.


ps: e esse miguel torga vai ficar guardado em mim. sim.

ivone disse...

graça pires
ocorre_me dizer_te que gosto que frequentes a minha casa. só isso.



baraújo
eras duas vezes...se eu não fosse uma estória em que a princesa não tem cabelos louros e compridos nem olhos azuis.não acredito em sapos que viram príncipes. por isso mesmo recuso_me determinantemente a beijar um. e ser feliz é sinónimo de viver num castelo cercado de ameias? e espreitar de vez em quando pela janela do alto da torre?
e lançar as tranças aos sanchos e panças? abençoada dulcineia que fez questão em nunca se fazer matéria!

acredito em pessoas. nos fernandos. que me contam histórias de embalar...e sou feliz assim. sim. porque quero acreditar.

beijo teu