1.10.08

I'll be looking at the moon but I'll be seeing you

dois pontos:



I'll be looking at the moon
but I'll be seeing you


















"passo metade dos meus dias desesperada por não te poder tocar. o resto do tempo, sinto que não importa tornar ou não tornar a ver_te. não é uma questão de moral, mas do ponto até onde chega a resistência de uma pessoa."











"ele que nunca se sentiu só nas milhas de longitude entre povoados de deserto. no deserto, um homem pode agarrar a ausência na concha das mãos, sabendo que tem nela um alimento mais precioso que a água. conhece uma planta, próximo de El Taj, cujo coração, quando arrancado, é substituído por um líquido cheio de virtudes medicinais. todas as manhãs se pode beber uma quantidade de líquido de volume igual ao do coração ausente. a planta continua a florir durante um ano, até morrer de uma qualquer carência."


pág. 111






"no jardim botânico, cheia de determinação e fúria, ela batera com a cabeça no portão. demasiado orgulhosa para ser uma amante, um segredo. recusava_se a viver num mundo dividido em compartimentos. e ele virara_se para ela, de dedo espetado, "ainda não tenho saudades tuas".
"hás_de ter".

pág. 122






















das poucas vezes que te vi tive de desviar o olhar. a atenção que me prendia a ti era sufocante. e eu não queria deixar faltar_me o ar. na primeira vez pensei que "conseguiria facilmente apaixonar_me". então para o evitar não olhava. se te conhecesse tudo teria sido bem mais complicado.e eu não gosto de coisas complicadas. só de complicá_las. ora assim sendo se um dia me aparecesses à frente com esta minha ideia pré_fabricada tinha logo à partida de te excluir. e eu não queria excluír_te de mim. pelo contrário. semeava cada vez mais a ideia de um suposto qualquer encontro para depois a partir daí ter que ser eu a nos complicarmos.

acho que nunca percebeste isto. nem eu. só agora que o falo.

hás_de sentir_me a falta. é o bem que te desejo hoje. aliás desejo_te nem bem nem mal. enfim bem porque já não te desejo e mal por não te querer mais. nem bem nem mal afinal. hás_de ainda lembrar_te algumas vezes . até chegares enfim ao fim do mundo e dizeres que nada mais há para se conhecer. a não ser eu claro. que viste uma única vez enquanto passavas ao lado. neste lugar. o de mim. nem te apercebeste. nem reparaste.

hás_de lembrar_te ainda de mim quando perceberes por fim que nem me olhaste.


























acho que te tornaste desumano", disse_me ela
"não sou o único traidor"
"não me parece que te importe, isto que aconteceu entre nós. passas por tudo de largo, com o teu medo e o teu ódio à posse, à ideia de possuir, de ser possuído. e julgas que isso é uma virtude. eu acho que tu és desumano. se eu te deixar, para quem é que te viras? arranjas outra amante?"
eu não disse nada.
"diz que não, raios te partam".



pág. 170










excertos do livro o paciente inglês de michael ondaatje








I' ll be looking at tee moon
but I' ll be seeing you





fotos katia chauscheva
sem música porque a não temos sequer

28 comentários:

ivone disse...

o meu terceiro caderno de capa preta começou assim. em desamor.

_E se eu fosse puta...Tu lias?_ disse...

Sarava!!

Isso da capa preta dificulta-me as leitura.... pareço uma velhota a olhar para o ecran a tentar descodificar símbolos...:S


Quanto ao desamor...Um xi coração de quem não to pode tirar, mas apenas te pode amparar ;)


E continuo aos assobios por cá!!


beijossssssssss

Anónimo disse...

Há neste texto passagens que são muito familiares.
Tambem eu bati com a cabeça (não no portão do jardim botânico)e fiz um ultimato por não conseguir viver no "segredo" e bruuuummmmmm! ruiu o castelo.

Vivemos e aprendemos: aprendemos
a conhecer as pessoas.
Como se diz por terras de Viriato...guardado está o bocado para quem o há-de comer.

Poesiadaalma.

Moon_T disse...

li e reli...

fique estatico com a ultima frase
"hás_de lembrar_te ainda de mim quando perceberes por fim que nem me olhaste."

tanto que tem condensado aí que nem me atrevo a comentar.
pelo menos assim o vejo.



ps.
em desamor ou nao , o livro foi começado.
Quem sabe...

Dois Rios disse...

Ivone,

Esses excertos são absolutamente lindos!

Detive-me especificamente numa frase que bradou nos meus ouvidos:

no deserto, um homem pode agarrar a ausência na concha das mãos.

Quando não há mais nada, a ausência materializa-ze.

Beijos, minha querida!
Inês

Liliana disse...

"semeava cada vez mais a ideia de um suposto qualquer encontro para depois a partir daí ter que ser eu a nos complicarmos"

li-te em silêncio...

em jeito de confidência, hoje eu descobri aquilo que já sabia... se eu nunca tivesse existido, ele não sentiria a minha falta... se eu desaparecesse, hoje, depois de me ter conhecido, eu continuaria a não lhe fazer falta... a única diferença, é que ele sabe da minha existência, olha-me nos olhos...

e nem por isso é mais fácil...talvez até preferisse que ele não tivesse olhado pra mim...

mas talvez pense agora assim por estar em "dia-não"...


beijo*

oldmirror disse...

In wich side of the moon you'll be seeing...?

diana disse...

"hás_de lembrar_te ainda de mim quando perceberes por fim que nem me olhaste."


Nunca li esse livro... mas os excertos escolhidos já dizem tanto sobre mim, sobre os meus desamores.

Esperemos que o caderno começado com desamor, possa ter muitas mais páginas de amor e alegria :)

Baraújo disse...

eis um daqueles livros que me intriga sempre que olho para ele. comprar ou não comprar... vi o filme, e fiquei com a sensação que o filme tem algo de oco que o livro irá completar, não sei e nunca saberei explicar enquanto não ler o livro mesmo... talvez me estejas a seduzir para o comprar de vez.

beijo terno

ivone disse...

tu lias?
não posso mudar a capa como já me pediste uma vez. é preta. e manter_se_á assim. sou fiel.aqui funciona quase como uma continuar ao caderno. se alterasse deixaria de o ser. e não há motivo para mudanças. ainda.


poesiadaalma
o desabar não foi propriamente um fim do mundo. apenas um desmoronamento. pequeno. como poderia ruir alguma coisa que nunca chegou a manter_se de pé? mas já bati algumas vezes com a cabeça não no portão do jardim botânico mas numas quaisquer paredes por aí.


moon_t
"hás_de lembrar_te ainda de mim quando perceberes por fim que nem me olhaste." quando me saiu isto arrepiei_me.
está tudo dito. tudo escrito. tudo lido. nada a acrescentar. não acreditei que tinha sido "vomitado" por mim.


ps: e quem sabe o que me espera no final do caderno? e no caderno final?



dois rios
"Quando não há mais nada, a ausência materializa-se" fizeste_me pensar...será que agora quando de facto a ausência está presente eu materializei_a? nada mais há a esperar. nada. de nada. como me assusta o nada. este nada.agora mais há alguma coisa? ainda? RAIOS ME PARTAM!!



liliana
"se eu desaparecesse, hoje, depois de me ter conhecido, eu continuaria a não lhe fazer falta..." assustaste_me. estás numa situação bem pior que a minha.
"talvez até preferisse que ele não tivesse olhado pra mim..." e tu? continuas a olhá_lo olhos nos olhos? desvia_me esse olhar sff é tempo de...mesmo nos dias não.


oldmirror
I'll be seeing in the dark side of the moon...


diana
o livro é excelente. trata_se de facto de um livro de um grande desamor muito ao meu género sim. apesar disso vale sempre a pena mudar a página.



baraújo
também vi o filme. só depois li o livro. são coisas diferentes obviamente. nem todas as sequências de imagens apesar de serem fiéis à escrita conseguem transmitir o que a palavra diz. estes excertos são um bom exemplo disso. no filme nem por isso. protagonizado por um excelente actor que não me recordo o nome vale pelo seu papelão da personagem de patrick o mal e bem amado.
""o patrick morreu num pombal em frança. em frança nos séculos XVII e XVIII construíram_se pombais enormes maiores que a maioria das casas. com este aspecto. a linha horizontal a um terço da altura chamava_se parapeito das ratazanas_ impedia as ratazanas de treparem pelas paredes de tijolo para maior dos pombos. seguro como um pombal. um lugar sagrado. quase como uma igreja. um lugar de aconchego. o patrick morreu num lugar de aconchego." pág. 209


quando morrer também quero um lugar assim.

bj

ivone disse...

baraújo
na linha treze deverá ler_se: " de tijolo para maior segurança dos pombos". e se quiseres empresto_te o livro sim. com muito gosto.

Sunshine disse...

Li e reli muitas vezes...palavras que ilustram uma dor que sinto...
Vi o filme e agora tenho a certeza que quero ler o livro.
Tão bem que enches os teus cadernos!
Beijinhos com raios de Sol
P.S. Já sentia falta de visitar este teu cantinho que tantas vezes me tranporta lá bem para dentro de mim.

Carla disse...

sublime a escolha das palavras...das fotos já nem falo!!!
And tonight "I'll be looking at the moon"...
beijos e boa semana

observatory disse...

hmmmmm

graficamente belo

o resto vai com o tempo.

Real GirL disse...

Que bom voltar aqui!

Vi o filme e agora terei que ler o livro, o que quer dizer que serás a culpada das próximas páginas que vou virar.

Beijos

ivone disse...

sunshine
"tantas vezes me tranporta lá bem para dentro de mim." e de mim também. não fosse eu morar aqui de vez em quando.



carla
a lua é o que é e por vezes não. basta estarmos atentos.



observatory
e o resto é?



real girl
não reclamo inocência. culpada seja. normalmente assumo as minhas culpas. e pecados também.

ps: bom teres voltado

ivone disse...

I’ll be seeing you in all the old, familiar places
That this heart of mine embraces all day through
In that small caf‚, the park across the way
The children’s carousel, the chestnut tree, the wishing well

I’ll be seeing you in ev’ry lovely summer’s day
In everything that’s light and gay
I’ll always think of you that way
I’ll find you in the morning sun and when the night is new
I’ll be looking at the moon but I’ll be seeing you



quem quer que seja essa alma um muito mas muito bem haja!

Graça Pires disse...

Não li o livro. Só vi o filme. Mas estes excertos aguçaram-me a vontade de o ler.
"no deserto, um homem pode agarrar a ausência na concha das mãos, sabendo que tem nela um alimento mais precioso que a água". Muito belo.
Um beijo.

Liliana disse...

..."há cordas no coração humano que o melhor seria não fazê-las vibrar"...

Charles Dickens

*

observatory disse...

nao me posso perder

leio tudo de vagarinho

de 07 para cá

observatory disse...

ps: o resto é ler :)))))

Fernando Pinto disse...

Gosto de aqui estar, voar...

Beijinhos

O Profeta disse...

Fabuloso...!


Doce beijo

Maria José disse...

Excertos de histórias e pedaços de coisas reais. Basta sentir.

eliane disse...

"sem música porque a não temos sequer" dá uma dor ler isso e pensar que é assim mesmo que acontece quase sempre.
Adoro o Paciente Inglês, está lindo, Judi.
Aprendi a deixar comentários, sou loira né? demorei.
Eliane

observatory disse...

de la tu tiras o que quiseres.

continuo a gostar muito da tua sala

TINTA PERMANENTE disse...

Sempre entro em silêncio, assim permaneço e assim saio. Apenas os meus olhos vão mais cheios...


abraços!

ivone disse...

graça pires
vale a pena ler. o que deixei aqui foi só um cheirinho.


liliana
sabes quais são as cordas que mais me assustam? não as do coração humano. mas sim as do coração desumano. e há outras também. as dos violinos...mas o medo nestas últimas transpiro_as eu.


observatory
de vagarinho . tem de ser muito de vagarinho sim. estou com receio que me leias. e isto já não é uma sala mas um duplex.


fernando pinto
por aqui abrem_se as asas e quem quiser voar voa quem não quiser não voa. há quem nem sequer chegue a abri_las. que desperdício...


profeta
fabuloso és tu por me leres sim


maria josé
às vezes basta não sentir, há que viver. também. senão não se escrevia assim.



oi judi
sua loura mesmo! ao final quase de dois anos aprendeu. mais vale tarde que nunca. já percebeu porque não ando no multiply? ninguém me liga lá a não ser você. e que dor sem música sim. beijos mil



tinta permanente
e cheios de quê? sairão salgados...?