quando aqui entro venho falar comigo pois de que me adianta andar a deambular pela casa?
à falta de outro meio de comunicação resta_me o público porque o privado esse parece que já não tenho direito muito menos o de te criar qualquer tipo de situação mais delicada vindo daqui que nada pareces saber do que se está a passar. não vale também a pena nem adianta sequer mais nada porque parece que não tem já importância alguma. não te vou mentir dizendo que estou mais ou menos bem mal. quando tudo estava ainda no princípio o que não chegou a começar. fiquei colada ao chão da sala durante algumas horas em frente à janela onde algumas vezes te vi chegar. pareceu_me até que passavas. pareceu_me até que chegavas. não é humano o esforço que fiz para conseguir não deitar lágrima. limpei a cara com as mãos querendo lavar_me. limpar_me de ti. apagar_me de ti. mas dói_me a água que respiro. até parece que este dia não chegava e tão cedo apareceu que me apanhou desprevenida nesta vontade de te querer cada vez mais. já nem na escrita me reconforto. que fiz eu para que isto acontecesse se é este o meu jeito de amar? nada tenho agora de ti. as músicas essas apaguei_as. fazem_me mal. afundem_se pois as memórias queimem_se as cartas apaguem_se as palavras matem_se os deveres. mata_te. larga de vez essa vida que te consome a cada dia que passa. vem ter comigo e diz_me na cara que me detestas que não me queres ver mais. arranja coragem para te desfazeres do que nunca chegaste a criar. sê frontal com a verdade e não te afastes. jamais. será a pior fuga que podes tomar. atormenta_te. atormenta_me. atreve_te a desafiar. pensas fugir porque te vais encontrar. apanhar na certeza no sossego da paz. mas agita a dor agita a lágrima.
e arrasta_me com elas também. procura coragem. respira fundo e vem ter comigo se é que mais algum dia irás chegar. como te posso desejar mal se aqui o mal está dentro de mim quando nada te prometi a não ser nada? é nesta transparência de dizeres e em tudo o resto que escondi que é tarde demais. mas nunca é tarde meu amor nunca é cedo para se recomeçar. e descansa. não. não me mato.











