28.1.09

quando aqui entro venho falar comigo pois de que me adianta andar a deambular pela casa?
à falta de outro meio de comunicação resta_me o público porque o privado esse parece que já não tenho direito muito menos o de te criar qualquer tipo de situação mais delicada vindo daqui que nada pareces saber do que se está a passar. não vale também a pena nem adianta sequer mais nada porque parece que não tem já importância alguma. não te vou mentir dizendo que estou mais ou menos bem mal. quando tudo estava ainda no princípio o que não chegou a começar. fiquei colada ao chão da sala durante algumas horas em frente à janela onde algumas vezes te vi chegar. pareceu_me até que passavas. pareceu_me até que chegavas. não é humano o esforço que fiz para conseguir não deitar lágrima. limpei a cara com as mãos querendo lavar_me. limpar_me de ti. apagar_me de ti. mas dói_me a água que respiro. até parece que este dia não chegava e tão cedo apareceu que me apanhou desprevenida nesta vontade de te querer cada vez mais. já nem na escrita me reconforto. que fiz eu para que isto acontecesse se é este o meu jeito de amar? nada tenho agora de ti. as músicas essas apaguei_as. fazem_me mal. afundem_se pois as memórias queimem_se as cartas apaguem_se as palavras matem_se os deveres. mata_te. larga de vez essa vida que te consome a cada dia que passa. vem ter comigo e diz_me na cara que me detestas que não me queres ver mais. arranja coragem para te desfazeres do que nunca chegaste a criar. sê frontal com a verdade e não te afastes. jamais. será a pior fuga que podes tomar. atormenta_te. atormenta_me. atreve_te a desafiar. pensas fugir porque te vais encontrar. apanhar na certeza no sossego da paz. mas agita a dor agita a lágrima.
e arrasta_me com elas também. procura coragem. respira fundo e vem ter comigo se é que mais algum dia irás chegar. como te posso desejar mal se aqui o mal está dentro de mim quando nada te prometi a não ser nada? é nesta transparência de dizeres e em tudo o resto que escondi que é tarde demais. mas nunca é tarde meu amor nunca é cedo para se recomeçar. e descansa. não. não me mato.

10 comentários:

_E se eu fosse puta...Tu lias?_ disse...

Sarava!

Às vezes queria não falar comigo... mas é constante inata.

E o que nos torna únicos é esta capacidade de sentir. Sentir e sentir. Como se o nosso coração às vezes saísse fora de nós e andasse aos pulos por aí contra a nossa vontade...


Blá blá blá


Um beijo que te escuta e tb te sente

Moon_T disse...

quantas são as vezes que me mato? quantas as vezes que me calei quando devia gritar? quanto gritei eu quando me devia calar?
Matam-me os tempos e as palavras...
Sangram-me as lágrimas
e quanto mais amo
mais morro.






...





Fim...?
Sim(?)...talvez... porque não?
um grito rouco é fraco, sim. com sabor a sangue. Doi o que doer... grito...gritei. mas não foi rouco, foi sentido. foi bem alto
no entanto, não passaram de gritos mudos.
Uma vez que gritei, não mais me calo. Mas continuar a gritar? valerá a pena?

Um ano de gritos... Cem gritos passaram.
Filtrando tudo o que escrevi e li, dei-me a mim e tive em troca um universo de publicidade e proliferação... de desentendidos que não liam.
Poucos foram aqueles que efectivamente leram e viram. Poucos os que realmente ouviram os gritos. A esses o meu sincero obrigado.
Com tudo isto interrogo se valerá a pena continuar.

Cobarde? ?
Embora não o negue, será que o sou?





um sincero obrigado





ps.
nota que o fim acaba num ponto de interrogação.

della-porther disse...

seu texto me encanta, as imagens ótimas e Ella para acompanhar: dá vontade de não sair.

beijos

della-porther

M. disse...

o e.terno problema de
a m a r perdidamente.
e ainda temos de descansar o outro..

Amaral disse...

A pior fuga é fugires de ti.
O desânimo, a incerteza, o desespero são forças que retraem, que matam.
Nunca é tarde. O sossego só poderá surgir, se o passado deixar de ser presente.
Nenhum amor é sadio quando carrega infelicidade e memórias sombrias e inconstantes.
Nenhuma promessa faz um momento feliz se a liberdade e a paz interior a não acompanhar.
Por mais que se apaguem as músicas, as cartas ou qualquer palavra, não poderás encontrar a tua alegria se a não procurares no teu jeito de ser e confiares nele.
Limpa de novo todas as lágrimas que ficaram e sorri.
Olha para as outras coisas e para as outras pessoas que não sentes mas estão à tua volta para te lembrarem Aquilo e Quem tu és...

oldmirror disse...

É agonizante esta prisão

diana disse...

Até o amor precisa de descanso. Senão, é morrer a cada dia.

pin gente disse...

é tarde, meu amor!
demasiado...
é com o passar do tempo que a vida se vai. que se perde a coragem. a vontade. não sabias?!
e passou tanto tempo.
mas não vês como o meu corpo entardeceu?
entro pela noite...
tão perto me senti da morte!
é tarde, meu amor!
demasiado tarde.


um abraço, ivone

(já ontem cá andei e...)

bARAUJO disse...

não sei como comentar este texto, confesso... por dois motivos, entre outros, talvez...

primeiro, partilho do momento transcrito por algumas frases...
segundo, ao partilhar? como comentar se é um olhar para dentro de nós, uma instrospecção... que sempre que acontece tem o dom de incomodar... sempre que acontece tem o dom de surpreender...
mas uma necessidade sem duvida...

beijo [E] terno

ivone disse...

tu lias?
é isso:
blá blá blá blá


moon t
também já me matei inúmeras vezes


...

fim
fim
fim
fim
fim

e fim
o princípio do fim

ámen


della
não saia. vá ficando de vez em quando. eu também.


m
será que é mesmo um problema? e terno não é.


amaral
fugir de mim? não. fugir comigo.


oldmirror
é não é? concordo.


diana
morre_se sempre de qualquer jeito. com ou sem dia.

pin gente
tarda_se_me o estar no dia. tarda_se_me o permanecer na noite. tardo_me.

é tarde, meu amor!


baraujo
meu querido amigo. não comentes por favor. tudo o que pudesses dizer não encaixa comigo agora. há momentos em que se deve permanecer calado. este é um deles.

beijo t