7.1.09

aviso sobre conteúdos
alguns dos leitores deste blogue contactaram o Google porque acham que o conteúdo do mesmo é reprovável

apesar disso pretendo continuar





o
http://viverumconto.blogspot.com/

nomeou_me para um dardo

















com o prémio dardos reconhecem-se, os valores , que cada blogger emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais... os quais, em suma, demonstram a sua criatividade através do pensamento vivo, que está e permanece intacto entre as suas letras, entre os seus pensamentos e logicamente escritos.
estes selos, foram criados com a intenção de promover o salutar convívio entre os bloggers, uma forma de demonstrar carinho e, reconhecimento por um trabalho, que agregue valor à Web.

quem recebe o “prémio dardos” e o aceita deve seguir algumas regras:
- exibir a distinta imagem

- linkar o blog pelo qual recebeu o prémio
- escolher outros blogs a quem entregar o "prémio dardos"







e o nomeado é:



http://sinais-de-fumo.blogspot.com/





















fotos de irma atanassova

4.1.09

assim com medo de me partir




terror de te amar num sítio tao frágil como o mundo
mal de te amar neste lugar de imperfeiçao
onde tudo nos quebra e emudece
onde tudo nos mente e nos separa.


terror de te amar









deixai-me limpo
o ar dos quartos
e liso
o branco das paredes
deixai-me com as coisas
fundadas no silêncio
.


instante










dai-me um dia branco, um mar de beladona
um movimento
inteiro, unido, adormecido
como um só momento.
eu quero caminhar como quem dorme
entre países sem nome que flutuam.
imagens tão mudas
que ao olhá-las me pareça
que fechei os olhos.
um dia em que se possa não saber.


um dia branco

sophia de mello breyner









































a cada dia que passa quebram_se_me mais os ossos pela entrega à inércia em que me deixo estar. conseguirei eu um dia pegar o caminho que me leva aí? os pés
colam_se_me ao chão por cada vez que penso nisso.



há que mudar. mesmo ficando no mesmo sítio. por aqui. assim com medo de me partir.







fotografias de ewa brozozowska

30.12.08

...soberbo este moscato. todo o prazer de não se ser...














_ leu alguma vez uma gramática?
_ eu nunca. tive sempre uma aversão profunda a saber como se dizem as coisas...a minha única simpatia nas gramáticas ia para as excepções e para os pleonasmos...escapar às regras e dizer coisas inúteis resume bem a atitude essencialmente moderna...não é assim que se diz?...
_ absolutamente...o que tem de antipático nas gramáticas (já reparou na deliciosa impossibilidade de estarmos falando neste assunto?) _ o que há de mais antipático nas gramáticas é o verbo os verbos...são as palavras que dão sentido às frases...uma frase honesta deve sempre poder ter vários sentidos...os verbos! um amigo meu que se suicidou_ cada vez que tenho uma conversa um pouco longa suicido um amigo _ tinha tencionado dedicar toda a sua vida a destruir verbos...
_ ele porque se suicidou?
_ espere ainda não sei...ele pretendia descobrir e fixar o modo de não completar as frases sem parecer fazê_lo. ele costumava dizer_me que procurava o micróbio da significação...suicidou_se é claro porque um dia reparou na responsabilidade imensa que tomara sobre si...a importância do problema deu_lhe cabo do juízo...um revólver e...
_ ah não...isso de modo algum...não vê que não podia ser um revólver?... um homem desses nunca dá um tiro na cabeça...o senhor pouco se entende com os amigos que nunca teve...é um defeito grande sabe?... a minha melhor amiga _ uma deliciosa rapaz que eu inventei ...
_ dão_se bem?
_ tanto quanto possível...mas essa rapariga não imagina...






bernardo soares no livro do desassossego páginas 303 e 304















há quanto tempo não me sinto bem. não que tenha vontade de morrer muito menos de me suicidar. isso são coisas de fracos. e eu não sou fraca. recupero forças e armazeno energias onde menos espero. bastam pequenas coisas. bastou_me um recado. atravesso_me assim nos dias em que não estou mas continuo sendo. correm_me os anos na cara de quem apesar de tudo não consegue ser contente. e é preciso ser_se feliz? é nesta tristeza que me veste desde que nasci que me sinto completa. inteira de vez. absurdamente contente. julgo_me em devaneios de orgias simples. pouco me chega para contentar. o que para muitos seria muito pouco considero eu imenso. e para quê pedir demasiado? no pouco tempo que me resta pouca coisa seria muito. é que neste final de ano par preparo_me para nada de novo me acontecer. contrariamente à maioria sinto_me bem por isso. durante trezentos e sessenta e cinco dias esperei por um milagre. porque eu acredito em milagres. mas um não me chega. queria no mínimo trezentos e sessenta e cinco milagres. um por dia. era justo. para quê tanto milagre? não faço a mínima idéia. mas sei que os queria. há falta de milagres. pego no copo e bebo um moscato dolce aromatico di qualità. resta_me embebedar_me!




...soberbo este moscato. todo o prazer de não se ser...







há milagres que não se contam a ninguém. ficam só connosco. e este é o meu.







fotografias de valentine

24.12.08

_ acreditas em anjos?








que de infernos e purgatórios e paraísos tenho em mim__ e quem me conhece um gesto discordando da vida...a mim tão calmo e tão plácido?




bernardo soares










porque hoje a noite deve ser calma. e plácida. quero um piano preto de cauda um violino de madeira uma pintura de chagall uma música de liszt e um pessoa sem ser fernando.













fotografia de elena ray

21.12.08

festejo_me a mim!













quero lá saber se faço anos. já não festejo o dia nem os anos. festejo_me a mim.






















No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.


No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a.olhar para a vida, perdera o sentido da vida.


Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui - ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!








O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas)
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas - doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . .









Pára, meu coração!
Não penses!
Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias. Serei velho quando o for. Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...




aniversário de álvaro de campos
















já não festejo o dia dos meus anos. nem o dia nem os anos. festejo_me a mim!quero lá saber se faço anos. deixo isso para os outros. para os outros que se festejam sem saber porque que se festejam por isso.celebro_me assim em mim. aceito_me nas caídas obrigo_me a ir sou resistente na viagem. não quero mapa. não quero sinais. não quero sentidos. destino_me assim à deriva. persigo utopias. e quero festejar à minha maneira. sem gente sem prendas sem festa sem vinho. celebro_me no sossego do meu livro. o intocável na mesa de cabeceira. o que não se anota não se rasura não se aponta não se sublinha. lê_se para dentro. lê_se para mim. quero lá saber se faço anos. já não festejo o dia nem os anos. festejo_me a mim.






apesar disso um brinde!









fotografias de b. berenika