8.4.08

à margem estarei. estarei bem









à margem







à margem
estarei

estarei
bem por sobre as águas
muito bem

à margem
também
serei
serei sobre as águas


margens bravas
vagas
margens
claras vagas
ausente não sou diferente
eu ando nas margens da corrente
e o tempo que voa
à toa eu ando
nas margens da corrente



à margem de pedro ayres magalhães









sabe bem



não sabe
ter conversas úteis
inúteis
e descaradas
amargas
ausentes
perfeitas
presentes
sabe bem
se sabe
falar
estar aqui
sem ser
à frente
olhar sem dizer
sabe bem
não sabe
não dizer nada
se sabe
nada
que bem
que sabe


























sabe bem


há conversas inúteis como os dias de chuva. em que não apetece sair de casa porque lá fora está agreste. o céu carrega_se de cinzento e o piso molhado agride o sentido do atalho por onde tropeço em pequenos lagos.



foi assim que saí de casa.tropeçando na água. o chapéu preto orgulhosamente ostentava duas varetas despidas de tecido. fiz de conta que uma qualquer rabanada de vento me tinha apanhado desprevenida. de casa à pastelaria para beber café e da pastelaria a casa é só atravessar a rua. ninguém reparou no chapéu nu. nem em mim se fosse despida. troquei_o em casa. o mesmo não pude fazer comigo.



depois há as boas tardes o bom almoço e o até amanhã. tudo sempre igual. a única diferença é que alguém nos chega pedindo coisas porque precisa. para mim a tinta branca ou a talagarça não passam de nódoas em águas paradas. pelo menos neste dia. gente que descaradamente nos mente na cara olhos nos olhos boca na boca. e sem dizer nada acabamos por nos dar a acatar os dizeres e sentires falseados.



se há coisa que detesto é gentinha sonsa. se há outra coisa que não tolero é ter que levar com essa gente falsa num dia em que só me apetecia ficar em casa. se há coisa que me tira do sério de verdade é ter que saber que tenho de levar com tudo isso como se o de uma obrigatoriedade quase diária se tratasse. e para piorar tudo ainda mais eu aceno que sim com a cabeça. como se o concordo fosse natural.



e a conversa continua despropositada descabida sem conteúdo nem contexto.nem a tinta branca faz falta. nem a conversa faz sentido. ainda me passou pela cabeça num só instante que fosse ir até lá fora para tropeçar nalgumas mais pocinhas de água da chuva. fazia_me bem melhor do que continuar ali especada a acenar que sim a não sei bem o quê.





há conversas inúteis mas tão inúteis que até apetece mergulhar nos lagos da água da chuva à porta de minha casa.

13 comentários:

un dress disse...

quase tudo assim

não

arde

Baraújo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Baraújo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Baraújo disse...

chapinhar nas poças de água... é do melhor... bem como no outono quando o chão se banha dakele manto castanho que desmaia a nossos pés e sem querer pisamos uma folha ouvimos o som... e mais sem querer pisamos todas as outras e pisamos e saltamos e dançamos...

para onde olham?

apenas me tou a libertar da falsidade do dia a dia...

e chapinhamos... só com um pé, agora com os dois... e ver quem atira a água para mais longe... até que a água se espalha por todo o manto da calçada e da estrada... um pouco pela parede... e um transeunte qualquer desconhecido apanhou sem querer, também, uma réstia da brincadeira...

tu aí que olhas... ainda queres tinta branca?? se pedes alguma coisa. ao menos que peças para lavar esta roupa, sê útil de alguma forma.. já que passas o tempo a criticar o que é viver...

beijo terno

imaginei-me mesmo a chapinhar na água entre versos da chuva

O'Sanji disse...

chapinhar as poças... sonho da criança que ainda nos habita.
E se possível encharcar quem não faz sentido.
Beijo

Carla disse...

que bem que sabe passar por aqui...e sentir que nada do que aqui vejo é inútil! faz-me repousar como se fosse água de chuva a acariciar
bjs

Nina disse...

aff ... sei como é isso, e como sei.

Maria José disse...

Conversas. E o silêncio que as fotografias quebram de permeio.

~pi disse...

e desaparecer

microscópica

sem tempo

sem

espaço

mateo disse...

Inúteis?
Não...

Bloguemate disse...

Acabo de navegar de palavra em frase bem temperada por conversas (in)úteis? E agora, manda-me tomar banho na água da chuva?...

ivone disse...

un dress baraújo o'sanji carla nina maria josé ~pi mateo e senhor bloguemate

são águas passadas com a espera renovada de outras mais limpas... e já experimentaram andar à chuva?

banho de água da chuva faz bem à pele e alimenta a alma.

S. disse...

Nada inúteis as tuas viagens pelo dias mais cinzentos...que cores lhes dás com as palavras!
Bjo*