11.5.08

acima de tudo

resta acima de tudo




essa vontade de chorar























resta acima de tudo esta vontade de chorar diante da beleza



essa contemporaneidade com o amanhã dos que não têm ontem nem hoje

resta essa faculdade incoercível de sonhar
de transfigurar a realidade dentro dessa incapacidade
de aceitá-la tal como é
e essa impressionante e desnecessária paciência
e essa memória anterior de mundos inexistentes
e esse heroísmo estático
e essa pequenina luz indecifrável a que às vezes os poetas tomam de esperança





edu lobo





























resta_me este querer ir
este estar sem permanecer
o ficar
e querer sair
o não dizer
o continuar calada
com vontade de escrever
o encontrar
sem hora marcada
o desencontrar
na hora acertada
o falar
sem nada dizer
o deixar passar
e ficar na mesma
o querer voar
sem abrir a asa
sequer
o contar a verdade
quando apetece desdizer
o ficar trancada
entre quatro paredes
o viajar na mesma
sem apetecer
esta tristeza
a rir sem se ver
o revelar vontade
sem nada acontecer

resta acima de tudo nada
o nada a dizer







acima de tudo
.

17 comentários:

Pedro Branco disse...

O choro é sempre uma corrente em direcção à foz. Com cores e palavras que nos espelham aos outros. Como tu me espelhas sempre a mim!

Bloguemate disse...

"Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido..." Vinicius de Morais

un dress disse...

resta a voz dentro ou fora a voz

a

partilh ar ~





abraÇo.beijO

ivone disse...

pedro branco
tem choro de água aqui sim
por vezes encontra a foz outras não
que fazer?



bloguemate
"resta esse antigo respeito pela noite
esse falar baixo
essa mão que tacteia antes de ter
esse medo de ferir tocando
essa forte mão de homem
cheia de mansidão para com tudo que existe"

o perdão se existe



un dress
"resta essa comunhão com os sons
esse sentimento da matéria em repouso
essa angústia da simultaneidade do tempo
essa lenta decomposição poética em busca de uma só vida uma só morte"

Spectrum disse...

Resta. Não, existe sempre o sonho. Ainda que feito de lágrimas. E de vozes inaudiveis. Ao sonho que desagua na foz. audibilidade. e perdão.
Beijo e muito obrigado pela visita. Espero em breve regressar ao Spectrum

mateo disse...

Achei o teu poema encantador!
Acima de tudo por esses "ires e vires"... como se presa abraçasses a liberdade.
Beijo.

~pi disse...

resta o que resta a

continuar ~

S. disse...

Se me deres mais destas palavras, quero que esteja ainda tudo por dizer.
:)

Maria José disse...

Nada dizendo e tudo contando num sussurro deixado ao sabor do tempo. P'ra quem chegar. E ficar por perto.

O'Sanji disse...

resta ainda estares viva.

Carla disse...

As tuas palavras conquistam!
bjs

Su disse...

.....apenas............resta.me essa vontade de chorar..........


jocas maradas de sentires

Karlinne disse...

Lindo, lindo , lindo.

Certamente voltarei muitas vezes.

:)

sou eu disse...

gostei muito deste blog.

rosasiventos disse...

que invenção podem ser os meus dedos nos teus nos meus dedos

Iveta disse...

impossível nao dizer nada...
eu que passo, leio, solto lágrimas ou sorrisos, em silencio... hoje solto a "voz": um resto de nada, assim eu!
Belo este teu espaco, belo para além das palavras e das imagens, pelo pelos sentimentos que transmite, BELO!

ivone disse...

ainda me resta

tudo
isto
em
aberto

para tis

.
.
.